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Mestrando do VRA participa de trabalho que pode ajudar na preservação de felinos

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 Foto: Pedro Nacib Jorge Neto
Publicado em 9/11/2017 

No final de outubro, ocorreu a Aspiração Folicular por Laparoscopia (LOPU) em onças-pardas, procedimento pioneiro no estado do Mato Grosso do Sul, realizado por Pedro Nacib Jorge Neto, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP e do pós-doutorando Gediendson Ribeiro de Araújo, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).

Foram aspirados 106 óvulos de uma única doadora, recorde mundial. A média do experimento foi de 34,8 por doadora. O teste está sendo realizado em onças-pardas, pois a Produção In Vitro de Embriões (PIVE) ainda não está estabelecida em felinos. Espera-se que possa ser aplicada para animais em extinção, como a onça-pintada.

A técnica foi aplicada no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres do Mato Grosso do Sul (CRAS-MS) com sete fêmeas de onças-pardas. Na ocasião, foi possível avaliar possíveis sinais de dor durante os procedimentos, sob sedação, o que permitiu aprimorar os protocolos anestésicos visando ao bem-estar dos animais. 

Os pesquisadores desenvolvem pesquisas que visam à otimização do procedimento de LOPU e a PIVE de onças-pardas e onças-pintadas com sêmen de machos de vida livre e de cativeiro, com apoio do pesquisador de renome mundial, Hernan Baldassarre da McGill University (Canadá), no desenvolvimento dessas tecnologias. 

Para Araújo, a importância da ação é viabilizar projetos futuros de reprodução assistida em animais de vida livre. “O intuito dos projetos é obter nascimentos utilizando fêmeas de cativeiro como receptoras e também o nascimento em cativeiro com a utilização de sêmen de onças de vida livre”, esclareceu.

Segundo Neto, “a padronização dos procedimentos de LOPU e de PIVE em grandes felinos são fundamentais para a preservação não apenas das espécies encontradas no Brasil (onças parda e pintada), mas de outras espécies ameaçadas em outros países”.

O êxito na PIVE depende de se conseguir produzir os embriões in vitro até o estágio de blastocisto, ou seja, estágio para introdução nas fêmeas, o que ocorrerá no mês de dezembro deste ano e nos meses de janeiro e maio de 2018. Parte dos embriões serão vitrificados e outra parte implantados em fêmeas de cativeiro.

Araújo explica que os nascimentos de filhos de machos participarão de projeto de reintrodução à vida livre. “Almeja-se, em um futuro não distante, aspirar oócitos de onças de vida livre e produzir embriões in vitro com sêmen de machos também de vida livre, permitindo reestabelecer populações em áreas críticas”, concluiu.

A pesquisa de Araújo é supervisionada pelo professor Breno Fernandes Barreto Sampaio, (UFMS) e a pesquisa da FMVZ-USP, conduzida por Neto, tem a orientação da professora Cristiane Schilbach Pizzutto e coorientação da professora Anneliese de Souza Traldi, ambas do VRA/FMVZ-USP.

A equipe que realizou o procedimento contou também com os seguinte profissionais: da UFMS, a professora Thyara de Deco Souza,  Verônica Batista de Albuquerque, Maitê Cardoso Coelho da Silva, Bets-Saba Senff Naumann, Karitha Marques Ullony, Andreza Furtado de Souza, Silvana Marques Caramalac e Simone Marques Caramalac; da UEMS, as professoras Fabiana de Andrade Melo-Sterza, Mariane Gabriela Cesar Ribeiro Ferreira, Christopher Júnior Tavares Cardoso e Daniela Moraes Pereira; da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Leanes Cruz da Silva e Milene de Paula Figueira; e a médica-veterinária Letícia Alecho Requena, da empresa Novagen Genética. 

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Pedro Nacib Jorge Neto, primeiro abaixado, à esquerda                        Foto: Arquivo do grupo