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Bagaço de frutas tem potencial para funcionar como fonte de fibras em ração para cães

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                                                                                                  Crédito: Blog Cachorro pode comer isso?
Fonte: Agência Universitária de Notícias (AUN) ECA-USP

Edição nº112, ano 49

Por Laís Ribeiro - AUN ()

A pesquisadora Lívia Rosa Folconi, mestranda na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ), realizou um estudo sobre a substituição de fontes de fibras em rações para cães. O experimento usou coprodutos das indústrias de suco de laranja e de maçã no lugar de farelo de arroz e celulose. Os resultados podem significar o reaproveitamento de toneladas de bagaço não utilizado e ainda prover melhorias na saúde dos animais.

A análise promete trazer enorme benefício para o meio ambiente, criando finalidade para um material considerado lixo. O suco de laranja, por exemplo, é o mais consumido no mundo, e o Brasil é seu maior produtor. O país processou, entre 2015 e 2016, aproximadamente 10 milhões de toneladas de laranja, segundo levantamentos da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos. O suco de maçã vem logo atrás, com aumento de exportação em 33% no último ano. Com essa produção maciça de bagaço todo ano, o desperdício de alimento é assombroso.

Para Folconi, encontrar um meio de diminuir o descarte das sobras do processamento de sucos alinhou-se a reduzir a competitividade entre a alimentação de seres humanos e animais de estimação em um país cuja população de cães e gatos é a segunda maior no ranking mundial (dados do IBGE/2013). “O cão e o gato, por serem carnívoros, competem com nossa alimentação”, diz a mestranda. “Eles consomem as mesmas coisas que a gente: arroz, milho, soja. O que hoje é colocado na alimentação humana você também vê na alimentação de cães”.

Existe, inclusive, uma questão ligada à popularidade recente da alimentação funcional. Conforme a preocupação com a saúde aumenta e mais pessoas procuram dietas diferenciadas (vegetariana, gluten-free, dietéticas), isso afeta também os cuidados com seus bichos. Cães, gatos e outros pets são frequentemente tratados como filhos, e, como parte de uma família, os donos acabam projetando seus hábitos alimentares sobre seus animais.

Por conta disso, Lívia Folconi acredita que a utilização dos coprodutos seria valorizada no mercado por suas vantagens de saúde. O termo “coproduto” refere-se a materiais secundários, orgânicos ou não, que resultam de um processo de fabricação principal de um produto. No processamento de sucos, o bagaço que sobra e que atualmente é tratado como material de descarte tem grande potencial para coproduto.

Além de conter vitaminas naturais das frutas, a fibra em questão também possui poder de absorção de nutrientes qualitativamente melhor do que as comumente usadas, farelo de arroz e celulose. A pesquisadora afirmou que, com o aprofundamento de seus estudos, há grande possibilidade de ajudar cães com diabetes e obesidade, pois os resultados indicam boa manutenção dos níveis de glicemia e boa capacidade de promoção da sensação de saciedade, o que auxilia no emagrecimento.

 

A única incerteza seria, para a mestranda, o preço final dos produtos. A partir do momento em que se dá um propósito a um material que normalmente seria descartado o resíduo , ele passa a possuir um valor monetário na posição de coproduto. Mas Folconi é positiva quanto ao ganho dos produtores de suco, que de qualquer forma conseguiriam vantagem sobre um produto que anteriormente não tinha nenhum valor.